Quinta-feira.
Buenos Aires.
Em frente a catedral.
Em frente ao palácio do governo, onde ocorre em sua forma mais pura a tal dita democracia.
Vi minha falta (não ouso chamar de saudade estando aqui).
Vi minha falta sendo pouca em meio a tanta dor.
O esforço pra lembrar aqui se chama resistência.
Depois de tantos anos, a esperança ainda não morreu. E nem vai.
A memória ainda lembra.
O tempo não esquece.
O coração ainda sente.
Os olhos ainda procuram.
As pernas não cansam de marchar pela praça.
A face rugosa ainda carrega a dor.
E a voz fraca ainda grita pelos ares os nomes dos que se foram…
As mães. As loucas da praça de Maio.
Sua loucura?
A saudade.









