luz. ou sombra.
Os caminhos que eu não percorri.
Em algum lugar do universo ainda estou ao teu lado. Em algum tempo da vida minha mão ainda percorre teu corpo, e nós vivemos ainda tudo aquilo que prometemos um dia, mas que o tempo, os lugares, a vida sendo vida fez questão de fazer com que a gente esquece-se de cumprir.
Em algum outro corpo que não é exatamente o meu, mas que também não deixa de ser, ainda sinto sua mão passando os dedos de leve pela minha orelha.
Em algum lugar de algum outro tempo ainda ouço seus passos ao chegar em minha casa. E ainda te olho ir embora pela janela do meu quarto.
Em algum outro mundo muito parecido com esse mundo vivo, a gente finge ainda que o mundo pode esperar e nos enganamos todo dia fingindo que esse mundo não entra e não interfere dentro do nosso abraço. Em algum outro espaço de tempo fingimos ainda que acreditamos que não há espaço em nossa vida para qualquer outra coisa que não seja apenas nós dois. Em alguma outra vida existe ainda a “nossa vida”. Em algum outro caminho que eu não percorri, sei que ainda existe seus passos ao meu lado.
Em algum outro espaço perdido em algum outro tempo sua vida ainda tem espaço para mim. E a minha vida guarda sempre alguns segundos para ti. 

Os caminhos que eu não percorri.

Em algum lugar do universo ainda estou ao teu lado. Em algum tempo da vida minha mão ainda percorre teu corpo, e nós vivemos ainda tudo aquilo que prometemos um dia, mas que o tempo, os lugares, a vida sendo vida fez questão de fazer com que a gente esquece-se de cumprir.

Em algum outro corpo que não é exatamente o meu, mas que também não deixa de ser, ainda sinto sua mão passando os dedos de leve pela minha orelha.

Em algum lugar de algum outro tempo ainda ouço seus passos ao chegar em minha casa. E ainda te olho ir embora pela janela do meu quarto.

Em algum outro mundo muito parecido com esse mundo vivo, a gente finge ainda que o mundo pode esperar e nos enganamos todo dia fingindo que esse mundo não entra e não interfere dentro do nosso abraço. Em algum outro espaço de tempo fingimos ainda que acreditamos que não há espaço em nossa vida para qualquer outra coisa que não seja apenas nós dois. Em alguma outra vida existe ainda a “nossa vida”. Em algum outro caminho que eu não percorri, sei que ainda existe seus passos ao meu lado.

Em algum outro espaço perdido em algum outro tempo sua vida ainda tem espaço para mim. E a minha vida guarda sempre alguns segundos para ti. 

Relato de um dia qualquer.

Cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.
Acordo cedo, quase antes do sol. Saio cidade a fora. Essa cidade que conheço tanto. Desço a mesma rua, sinto o mesmo vento. Paro na mesma sinaleira. Ponho os pés no asfalto. Me distraio um segundo. Perco o equilíbrio na bicicleta. Perco o equilíbrio. Retomo a concentração. Tenho vontade de fumar. Não fumo. 
Pedalo. Gole d’agua. O calor dessa cidade. Desço mais uma rua que já conheço. Sinto o mesmo vento. Sei bem, o vento é outro. Lembro aquela teoria, penso que a rua também é outra. Já não me reconheço. O rio flui. Nunca é o mesmo rio. É sempre a mesma rua. É sempre o mesmo vento. É sempre.
Mas cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.
Dessa vez acordo tarde.  Ainda é de manhã. Mas o sol já acordou faz tempo. Ouço uma canção qualquer no rádio. Tomo café. Saio. Desço a mesma rua, sinto o mesmo vento. Paro na mesma sinaleira. Ponho o pé no mesmo asfalto. Penso que dessa vez não senti vontade de fumar. E ao pensar isso, sinto vontade de fumar. Penso em desistir da batalha. E tudo bem se desistir dessa vez e voltar para a fumaça. E, por que não, até aproveitar a fumaça. Parar em uma esquina qualquer e desistir dessa batalha toda… Volto a fumar e desisto do meu próprio pulmão. A sinaleira abre. Buzina. Pé no pedal. Desisto do cigarro. De novo. Todo dia, uma decisão. Batalha vencida.
Mas cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.
Nova esquina. Cada esquina é como se fosse uma espécie de fim. Não gosto das esquinas. Nunca gostei, Não sei se é um fim ou um começo. Ou os dois. 
Uma senhora aperta o passo para passar antes que a sinaleira abra. Um carro que, aparentemente, não pode esperar, cruza o sinal vermelho. Um ciclista sobe na calçada e aproveita a faixa de pedestres. Penso distraída que a armadilha é a mesma para os três. A tal da pressa. A pressa de chegar. Aonde?
Cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.
Paro na janela. A janela dessa casa que moro quase desde que nasci. E penso que, em breve, o mundo será minha nova casa. Planejo detalhes e encontro a calma na curva do ombro da mulher que amo. Não entendo também os olhares. Os olhares me incomodam. Já perdi as contas de quantas vezes desentrelacei meus dedos da mão de uma mulher pelo medo. E cada vez entendo menos, Cada vez não me conformo mais. Mas da mesma forma desentrelaço os dedos por medo.
Ontem no centro, um rapaz que devia ter mais ou menos a minha idade andava no centro de terno e gravata, castigado pelo sol, abaixo de uns 30 graus que fazia nessa cidade. Caminhava apressado. Por que o terno? Pra que o terno? 
Cada vez entendo menos.
Ontem andei pelo centro da cidade. Lembro que há anos atrás minha família me levava lá pra visitar a minha vó. Em frente ao museu Julio de Catilhos. Aquele que tem a tal da bota do gigante, que é a única coisa que me recordo de quando fui lá em uma excursão qualquer do colégio. O centro antigamente me parecia maior. Era quase uma outra cidade e meu vô me contava sempre a mesma história de como antes o rio ia até a Rua da Praia, que hoje em dia ninguém mais nem chama assim.
Volto para minha casa em um ônibus vazio. Pago 2 reais e 95 centavos para me deixar mais perto de casa. Saio pra caminhar com meu cachorro. Passo por uma menina jogando bola com uns amigos. A mãe chama ela pra dentro. Os joelhos estão sujos, o vestido amarrotado. Não pode. 
Dobro a esquina. Penso a quanto tempo conheço a esquina da Mariland com a Anita. Penso que uma vez na época que não passava um dia sem uma cerveja, tomei umas nesse bar. Lembro outra vez que encontrei uma menina nessa mesma esquina pra comprar maconha lá pela segunda vez que fiz isso. E lembro ainda uma vez que teve um acidente de carro aqui. E um cara morreu.
Esquina. Nunca gostei de esquinas. Eu já mencionei isso?
Na época que fumava era difícil subir essa lomba, penso. Hoje em dia já não tem mais problema. E assim um pouquinho a cada dia vou perdendo a vontade. Vencendo batalhas contra mim mesma. É curioso nosso corpo. Porque exige e tem vontade de algo que lhe prejudica tanto? O mais fácil. Essa desgraçada facilidade. Aquele bichinho verde e baixinho do filme avisou. Não é melhor. É mais fácil, mais rápido e mais sedutor. O maldito ser humano e sua mania da pressa. 
Não posso deixar de imaginar o que passa na cabeça das pessoas. Aquele rapaz de terno no centro. Ele nunca pensou por que ele está de terno com 30 graus lá fora? A menina pensa que tudo bem o vestido amarrotado? E eu? Penso que tudo bem ficar sem pensar?
Batalha por batalha a vida vai me levando. Um dia eu chego. Sem pressa.

Mas cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.

Relato de um dia qualquer.

Cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.

Acordo cedo, quase antes do sol. Saio cidade a fora. Essa cidade que conheço tanto. Desço a mesma rua, sinto o mesmo vento. Paro na mesma sinaleira. Ponho os pés no asfalto. Me distraio um segundo. Perco o equilíbrio na bicicleta. Perco o equilíbrio. Retomo a concentração. Tenho vontade de fumar. Não fumo.

Pedalo. Gole d’agua. O calor dessa cidade. Desço mais uma rua que já conheço. Sinto o mesmo vento. Sei bem, o vento é outro. Lembro aquela teoria, penso que a rua também é outra. Já não me reconheço. O rio flui. Nunca é o mesmo rio. É sempre a mesma rua. É sempre o mesmo vento. É sempre.

Mas cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.

Dessa vez acordo tarde.  Ainda é de manhã. Mas o sol já acordou faz tempo. Ouço uma canção qualquer no rádio. Tomo café. Saio. Desço a mesma rua, sinto o mesmo vento. Paro na mesma sinaleira. Ponho o pé no mesmo asfalto. Penso que dessa vez não senti vontade de fumar. E ao pensar isso, sinto vontade de fumar. Penso em desistir da batalha. E tudo bem se desistir dessa vez e voltar para a fumaça. E, por que não, até aproveitar a fumaça. Parar em uma esquina qualquer e desistir dessa batalha toda… Volto a fumar e desisto do meu próprio pulmão. A sinaleira abre. Buzina. Pé no pedal. Desisto do cigarro. De novo. Todo dia, uma decisão. Batalha vencida.

Mas cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.

Nova esquina. Cada esquina é como se fosse uma espécie de fim. Não gosto das esquinas. Nunca gostei, Não sei se é um fim ou um começo. Ou os dois.

Uma senhora aperta o passo para passar antes que a sinaleira abra. Um carro que, aparentemente, não pode esperar, cruza o sinal vermelho. Um ciclista sobe na calçada e aproveita a faixa de pedestres. Penso distraída que a armadilha é a mesma para os três. A tal da pressa. A pressa de chegar. Aonde?

Cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.

Paro na janela. A janela dessa casa que moro quase desde que nasci. E penso que, em breve, o mundo será minha nova casa. Planejo detalhes e encontro a calma na curva do ombro da mulher que amo. Não entendo também os olhares. Os olhares me incomodam. Já perdi as contas de quantas vezes desentrelacei meus dedos da mão de uma mulher pelo medo. E cada vez entendo menos, Cada vez não me conformo mais. Mas da mesma forma desentrelaço os dedos por medo.

Ontem no centro, um rapaz que devia ter mais ou menos a minha idade andava no centro de terno e gravata, castigado pelo sol, abaixo de uns 30 graus que fazia nessa cidade. Caminhava apressado. Por que o terno? Pra que o terno?

Cada vez entendo menos.

Ontem andei pelo centro da cidade. Lembro que há anos atrás minha família me levava lá pra visitar a minha vó. Em frente ao museu Julio de Catilhos. Aquele que tem a tal da bota do gigante, que é a única coisa que me recordo de quando fui lá em uma excursão qualquer do colégio. O centro antigamente me parecia maior. Era quase uma outra cidade e meu vô me contava sempre a mesma história de como antes o rio ia até a Rua da Praia, que hoje em dia ninguém mais nem chama assim.

Volto para minha casa em um ônibus vazio. Pago 2 reais e 95 centavos para me deixar mais perto de casa. Saio pra caminhar com meu cachorro. Passo por uma menina jogando bola com uns amigos. A mãe chama ela pra dentro. Os joelhos estão sujos, o vestido amarrotado. Não pode.

Dobro a esquina. Penso a quanto tempo conheço a esquina da Mariland com a Anita. Penso que uma vez na época que não passava um dia sem uma cerveja, tomei umas nesse bar. Lembro outra vez que encontrei uma menina nessa mesma esquina pra comprar maconha lá pela segunda vez que fiz isso. E lembro ainda uma vez que teve um acidente de carro aqui. E um cara morreu.

Esquina. Nunca gostei de esquinas. Eu já mencionei isso?

Na época que fumava era difícil subir essa lomba, penso. Hoje em dia já não tem mais problema. E assim um pouquinho a cada dia vou perdendo a vontade. Vencendo batalhas contra mim mesma. É curioso nosso corpo. Porque exige e tem vontade de algo que lhe prejudica tanto? O mais fácil. Essa desgraçada facilidade. Aquele bichinho verde e baixinho do filme avisou. Não é melhor. É mais fácil, mais rápido e mais sedutor. O maldito ser humano e sua mania da pressa.

Não posso deixar de imaginar o que passa na cabeça das pessoas. Aquele rapaz de terno no centro. Ele nunca pensou por que ele está de terno com 30 graus lá fora? A menina pensa que tudo bem o vestido amarrotado? E eu? Penso que tudo bem ficar sem pensar?

Batalha por batalha a vida vai me levando. Um dia eu chego. Sem pressa.

Mas cada vez entendo menos das coisas que se passam ao meu redor.

Se não soube te manter perto…
Se não soube te deixar partir…
Te olho de longe outra vez. Perdi o jeito de me aproximar. Te prendo com o olhar, a imagem fixada nas minhas próprias pálpebras. Te  vejo em todo lugar. Te perco na próxima esquina. Torço em silêncio que você faça o primeiro passo, e penso que a partir daí, quem sabe, meus passos e embaraços saberão que caminho seguir. Lembro que um dia, entrelaçado em seus braços, fiz menção de fugir. Sei que não soube te manter perto, mas não quis te deixar partir…
Minha pressa boba insistia em não deixar o dia amanhecer para ir embora, mas a mesma pressa me fazia voltar antes do sol se por. Sei que amanhecer em seus braços pesava em meu peito como se o amanhã fosse eterno. Acordar ao teu lado com o sol brilhando alto seria apressado demais. E adormecer ao seu lado, com meus olhos fechados seria escolher deixar o resto pra trás.  Não soube te manter perto.
Entre um dia e outro te perdi em outra esquina. Ou dessa vez foi você que decidiu fugir? Dirigi por três horas na madrugada escura procurando por você. As ruas mal iluminadas dessa cidade que conheço bem, mas nem sombra do seu rosto que eu costumava conhecer. Caminhei o dia inteiro tentando desvendar o acaso, e descobrir qual esquina dobrar pra te encontrar. Não desvendo, não encontro. Sei que não soube te deixar partir…
Me entrelaçava nos teus braços, um adeus antes do sol nascer. Me desvencilho dos teus laços, mas volto antes de escurecer.

Ah, se não soube te manter perto. Se não pude te deixar partir…

Se não soube te manter perto…

Se não soube te deixar partir…

Te olho de longe outra vez. Perdi o jeito de me aproximar. Te prendo com o olhar, a imagem fixada nas minhas próprias pálpebras. Te  vejo em todo lugar. Te perco na próxima esquina. Torço em silêncio que você faça o primeiro passo, e penso que a partir daí, quem sabe, meus passos e embaraços saberão que caminho seguir. Lembro que um dia, entrelaçado em seus braços, fiz menção de fugir. Sei que não soube te manter perto, mas não quis te deixar partir…

Minha pressa boba insistia em não deixar o dia amanhecer para ir embora, mas a mesma pressa me fazia voltar antes do sol se por. Sei que amanhecer em seus braços pesava em meu peito como se o amanhã fosse eterno. Acordar ao teu lado com o sol brilhando alto seria apressado demais. E adormecer ao seu lado, com meus olhos fechados seria escolher deixar o resto pra trás.  Não soube te manter perto.

Entre um dia e outro te perdi em outra esquina. Ou dessa vez foi você que decidiu fugir? Dirigi por três horas na madrugada escura procurando por você. As ruas mal iluminadas dessa cidade que conheço bem, mas nem sombra do seu rosto que eu costumava conhecer. Caminhei o dia inteiro tentando desvendar o acaso, e descobrir qual esquina dobrar pra te encontrar. Não desvendo, não encontro. Sei que não soube te deixar partir…

Me entrelaçava nos teus braços, um adeus antes do sol nascer. Me desvencilho dos teus laços, mas volto antes de escurecer.

Ah, se não soube te manter perto. Se não pude te deixar partir…